
08 de outubro de 2026
CTVacinas recebe sinal verde da Anvisa para testar vacina contra malária em humanos
Em visita à unidade, ministro da saúde, Alexandre Padilha, afirmou que UFMG se consolidou como referência nacional em vacinas. Imunizante Vivaxin é uma parceria entre UFMG, USP e laboratório Crisália e tem apoio da Fundep
Uma vacina 100% brasileira contra a forma de malária que predomina no país está autorizada a iniciar os testes em humanos. A Vivaxin, desenvolvida pelo CTVacinas, da UFMG, em colaboração com a USP e o laboratório Cristália, recebeu na última quarta-feira (7) a anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O avanço abre caminho para avaliar em voluntários uma tecnologia contra o Plasmodium vivax, espécie do parasita para a qual ainda não há vacina disponível no mundo para uso na população.
No sábado (10), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou as instalações do laboratório do CTVacinas e conheceu detalhes sobre o desenvolvimento fo imunizante. Participaram do encontro a vice-reitora Alamanda Kfoury e de pesquisadores do CTVacinas.
“Esse marco [a autorização para o início dos testes da Vivaxin em humanos] consolida o CTVacinas como uma grande referência no Brasil em desenvolvimento de vacinas. É uma estrutura que prepara o país para enfrentar futuras pandemias”, avaliou o ministro, que afirmou, ainda, que “a memória da pandemia de covid-19, que provocou a morte de 700 mil pessoas, não pode ser superada”, afirmou o ministro.
Sobre a nova vacina, Padilha lembrou que ela deve se inserir no conjunto de políticas de saúde pública para combater a doença, endêmica no Brasil, principalmente na Amazônia, onde representa um flagelo para os povos Yanomami “Felizmente, alcançamos a menor taxa de ocorrência de malária nos últimos 47 anos e, pela primeira vez, tivemos menos de 50 óbitos em um ano”. destacou. No entanto, a malária continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil e em outros países tropicais. Somente a forma da doença causada pelo P. vivax registrou 9,9 milhões de casos em 2024.
O desenvolvimento tem apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além do Ministério da Saúde (MS), por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), voltado ao desenvolvimento de soluções nacionais para os desafios em saúde. A gestão administrativo-financeira do projeto é conduzida pela Fundep, a Fundação de Apoio da UFMG.
O estudo clínico
O estudo de fase 1 será realizado em Belo Horizonte, no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG. Seu objetivo é avaliar a segurança, as reações à vacina e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica. Os resultados obtidos nessa fase deverão orientar as próximas etapas do desenvolvimento, necessárias para avaliar a proteção contra a doença.
O protocolo registrado prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, sem infecção prévia por malária. Serão avaliadas três dosagens da candidata, com participantes distribuídos em grupos que receberão Vivaxin ou placebo. O esquema prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. O acompanhamento terá duração prevista de 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento dos participantes. A expectativa é que os testes comecem nos próximos meses
Relevância mundial
A relevância ultrapassa as fronteiras brasileiras. O P. vivax predomina em grande parte dos países com malária fora da África Subsaariana e tem forte presença nas Américas e na Ásia. As duas vacinas contra a malária recomendadas atualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, foram desenvolvidas para outra espécie, o P. falciparum.
“Ela tem um impacto socioeconômico importante, porque a pessoa doente não pode trabalhar”, afirma Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas. Para o pesquisador, desenvolver uma vacina contra a malária vivax representa uma oportunidade de reduzir os efeitos da doença sobre a saúde, a renda e a rotina das populações expostas à transmissão.
A Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026, deferiu duas petições do CTVacinas relacionadas à Vivaxin: o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento e o processo de pesquisa clínica. A decisão autoriza o avanço à avaliação em humanos, etapa em que serão produzidas novas evidências sobre o comportamento da candidata vacinal.
Saiba mais sobre a iniciativa clicando aqui.
Com informações da Agência BH-TEC e da UFMG

