
05 de outubro de 2023

Núcleo de Diagnósticos da UFMG celebra 30 anos como referência na triagem neonatal no SUS
Com apoio Fundep, o Nupad da Faculdade de Medicina atua há três décadas no processamento dos resultados do teste do pezinho, que identifica e previne doenças nos primeiros dias de vida. Ação já beneficiou 7 milhões de mineiros.
O Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) da Faculdade de Medicina da UFMG completou 30 anos de atividades neste mês de setembro. Com ele, o Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG) também chega à sua terceira década, sendo um componente do Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde (PNTN-MS) e sob gestão da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
E desde quando era um programa recém-criado, o PTN-MG caminha com apoio Fundação de Apoio da UFMG. Desde 1998, a gestão administrativa e financeira do Nupad é realizada pela Fundep. Ao longo desses 25 anos de apoio, a Fundação já gerenciou mais de R$ 600 milhões que foram utilizados para aquisição de equipamentos e insumos para a realização dos exames, além da compra de materiais – luvas, jalecos, materiais descartáveis – que são utilizados nos laboratórios e o pagamento das bolsas dos pesquisadores envolvidos.
A parceria impactou a história da saúde pública em Minas Gerais. De acordo com o professor José Nélio Januário, diretor do Nupad, antes do PTN-MG, o exame conhecido como teste do pezinho só estava disponível em caráter privado, pois o sistema público de saúde ainda estava sendo implementado na época. “Não havia triagem gratuita e mesmo as coletas de serviços particulares eram enviadas para laboratórios de São Paulo. Apenas realizavam o teste as pessoas que tinham condição financeira para pagar”, completa.
Trabalho realizado pelo núcleo influencia positivamente nos indicadores de saúde
O Nupad foi criado em 1993 com o objetivo de implantar o Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais (PTN-MG), sob a gestão da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Conduzido inicialmente como programa de extensão, em 1995 o Núcleo se tornou órgão complementar da Faculdade de Medicina da UFMG e passou a ser responsável também pela execução de programas, projetos e ações de extensão que visem apoiar ações de assistência integral à saúde da população e projetos de pesquisa relacionados à difusão e aplicação de técnicas de apoio diagnóstico e saúde pública, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS.
O teste do pezinho e o acompanhamento ambulatorial das crianças impactaram nos indicadores de saúde do estado. “A criação do PTN-MG refletiu na queda de casos de deficiência intelectual por fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. Por exemplo, hoje não vemos mais casos de cretinismo, que é uma forma gravíssima de hipotireoidismo. As ações também interferiram na mortalidade infantil, especialmente pelo acompanhamento da doença falciforme”, explica Nélio.
Em Minas Gerais, o governo do Estado, por meio da SES-MG, firmou parceria com a UFMG para a criação do Programa. “No início, o primeiro painel de doenças triadas era composto por fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. Em cinco anos, o PTN-MG já chegava a 90% dos recém-nascidos mineiros”. Ao longo do tempo, outras doenças também entraram no painel: como é o caso da doença falciforme (1998), fibrose cística (2003), hiperplasia adrenal congênita (2013), deficiência de biotinidase (2013), cinco defeitos da betaoxidação dos ácidos graxos (2022) e toxoplasmose (2022).

Em 2022, por iniciativa e financiamento da SES-MG, o PTN-MG dobrou de seis para 12 doenças triadas e acompanhadas. “A cada doença que entra no painel o teste se torna mais custo-efetivo, já que aproveita a equipe especializada e equipamentos de ponta presentes no laboratório. Nesse sentido, os estudos apontam possibilidades de incorporação de novas doenças, considerando os bons resultados da primeira fase de ampliação”, ressalta o diretor. Agora, as doenças triadas são:
- Hipotireoidismo congênito;
- Fenilcetonúria;
- Doença falciforme;
- Fibrose cística;
- Deficiência de biotinidase;
- Hiperplasia adrenal congênita;
- Toxoplasmose congênita;
- Deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia muito longa (VLCADD);
- Deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia longa (LCADD);
- Deficiência de proteína trifuncional – DPTC;
- Deficiência primária de carnitina – DPC;
- Deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (MCADD).
José Nélio completa que, olhando para o futuro, o desejo do Núcleo é “seguir contribuindo com o SUS. Vislumbramos que, cada vez mais, nossa identidade esteja ligada à saúde pública, sendo um ponto de apoio para diagnósticos em larga escala e vigilância epidemiológica”.
Em 2023, o Nupad ultrapassou a marca de sete milhões de mineiros triados no estado. Hoje, o programa abrange 3.823 Unidades Básicas de Saúde, nos 853 municípios de Minas Gerais. Até julho deste ano, 7.818 pessoas estavam em acompanhamento ambulatorial em decorrência do trabalho do PTN-MG. O tratamento e acompanhamento é realizado principalmente no Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, Hospital João Paulo II, Fundação Hemominas, Hospital Universitário de Juiz de Fora e nas UBS de âmbito municipal (especialmente para hipotireoidismo congênito).

Outras atuações realizadas pelo Nupad
Além de auxiliar na detecção precoce de doenças em recém-nascidos, evitando sequelas no futuro, o Núcleo também tem atuação em outras áreas, como no caso da pandemia, em que o Nupad fortaleceu seu vínculo com a rede do SUS ao realizar exames de RT-PCR de alta qualidade e em quantidade significativa dentro do Programa de Cooperativa de Laboratórios da UFMG – CooLabs covid-19, iniciativa criada pela Pro-reitoria de Pesquisa da UFMG durante o ápice da pandemia de covid-19 que também teve apoio da Fundep para sua implantação.
Em 2023, o Laboratório de Genética e Biologia Molecular do Nupad, começou a executar testes diagnósticos moleculares para arboviroses. No painel constam testes para dengue, chikungunya e zika, atendendo inicialmente a rede pública da microregião de Contagem.
(Com assessoria de comunicação da Medicina UFMG)
Texto: Maria Carolina Martins Edição: Tacyana Arce

