08 de outubro de 2026

CTVacinas recebe sinal verde da Anvisa para testar vacina contra malária em humanos

Imunizante 100% brasileiro, Vivaxin é desenvolvido por meio de parceria entre UFMG, USP e laboratório Crisália. Projeto tem apoio da Fundep

Uma vacina 100% brasileira contra a forma de malária que predomina no país está autorizada a iniciar os testes em humanos. A Vivaxin, desenvolvida pelo CTVacinas, da UFMG, em colaboração com a USP e o laboratório Cristália, recebeu nessa quarta-feira (7) a anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O avanço abre caminho para avaliar em voluntários uma tecnologia contra o Plasmodium vivax, espécie do parasita para a qual ainda não há vacina disponível no mundo para uso na população.

O desenvolvimento tem apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além do Ministério da Saúde (MS), por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), voltado ao desenvolvimento de soluções nacionais para os desafios em saúde. A gestão administrativo-financeira do projeto é conduzida pela Fundep, a Fundação de Apoio da UFMG.

A relevância ultrapassa as fronteiras brasileiras. O P. vivax predomina em grande parte dos países com malária fora da África Subsaariana e tem forte presença nas Américas e na Ásia. As duas vacinas contra a malária recomendadas atualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, foram desenvolvidas para outra espécie, o P. falciparum.

“Ela tem um impacto socioeconômico importante, porque a pessoa doente não pode trabalhar”, afirma Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas. Para o pesquisador, desenvolver uma vacina contra a malária vivax representa uma oportunidade de reduzir os efeitos da doença sobre a saúde, a renda e a rotina das populações expostas à transmissão.

A Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026, deferiu duas petições do CTVacinas relacionadas à Vivaxin: o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento e o processo de pesquisa clínica. A decisão autoriza o avanço à avaliação em humanos, etapa em que serão produzidas novas evidências sobre o comportamento da candidata vacinal.

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Com informações da Agência BH-TEC