22 de setembro de 2026

Aconselhamento e orientação de equipe multiprofissional impacta taxa de aleitamento exclusivo, conclui pesquisa

Com apoio Fundep, projeto da Universidade Federal de Alfenas disponibiliza equipe multiprofissional para acompanhar mães e bebês durante amamentação e taxa chega a 80,4% para os seis meses de vida, enquanto OMS recomenda 60%

Por Luiza Ferreira

Com orientação, aconselhamento e apoio ao aleitamento materno, o projeto Atenção integral ao aleitamento materno, do Instituto de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), conseguiu levar um grupo de 183 mulheres a uma taxa de aleitamento exclusivo de 80,4%, ultrapassando a meta estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030, que é de 60% para os primeiros 6 meses de vida do bebê.

O projeto criou um espaço dedicado a acolher e oferecer orientações a mulheres gestantes e puérperas durante o período de amamentação, a sala Apega, que em um ano de atuação, atendeu mais de 300 mulheres com o acompanhamento pré e pós-natal. Os resultados do projeto, gerido administrativamente pela Fundep, incluem ainda a mobilização para que o Conselho Federal de Farmácia (CFF) atualizasse a norma que permite a prática da fotobiomodulação (laser terapêutico) por farmacêuticos na assistência a lactantes.

No espaço batizado de Apega, que fica no campus sede da Unifal, mulheres gestantes e puérperas recebem apoio e orientação de uma equipe multiprofissional “fundamental para a permanência no aleitamento materno”, como avalia a coordenadora do projeto: “Para a mulher amamentar, não depende só dela querer. Ela precisa aprender a amamentar e o bebê precisa aprender a mamar", explica Larissa Torres, professora do Departamento de Farmácia da Unifal.

Experiência pessoal motivou projeto

A OMS reconhece o aleitamento materno como uma das formas mais eficazes de garantir ao bebê os nutrientes necessários para a sua saúde e sobrevivência. O leite materno oferece anticorpos, energia e nutrientes para a criança desde a primeira hora de vida. Por isso, recomenda-se a amamentação exclusiva e por livre demanda durante os primeiros seis meses do bebê e, de forma complementar, até os dois anos de idade.

Mãe de gêmeas, a pesquisadora Larissa Torres teve medo de não conseguir amamentar e iniciou seus estudos no assunto motivada pela experiência pessoal: "Foi no compartilhamento de informações com outras mães que eu, de fato, percebi o quanto que nós, como sociedade, não conhecemos sobre o aleitamento materno. O acesso a informações durante a gestação foi o que me manteve segura do que eu estava fazendo quando minhas filhas nasceram", completa.

Embora reconhecida e incentivada, a amamentação natural no Brasil ainda é um privilégio, uma vez que o tempo de licença maternidade determinado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é de 4 meses, inferior ao período recomendado para amamentação exclusiva do bebê. “Amamentar exige apoio e informação e ainda temos muitas carências nas redes de apoio e nas políticas sociais e estruturais para a atenção às crianças. Por isso, projetos como o Apega fazem tanta diferença.”, completa a pesquisadora.

Impacto nacional: Apega mobilizou resolução federal para tratamento de feridas mamárias

Além de orientação e acompanhamento, a equipe de profissionais do Apega também oferece tratamento terapêutico para feridas mamárias por meio da fotobiomodulação, técnica não invasiva que utiliza luz de baixa intensidade, como laser ou LED, para estimular a recuperação celular, aliviar dores e reduzir inflamações.

A prática utilizada pelo Apega mobilizou uma proposta para incluir o uso da terapia entre as atividades realizadas por farmacêuticos na assistência ao aleitamento materno. A proposta foi aprovada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), que atualizou a Resolução n° 15/2025 no dia 30 de julho.

Guia de amamentação e capacitações: projeto distribui cartilha para lactantes e realiza formações para profissionais de saúde

Outro resultado do projeto é a cartilha Guia de amamentação para mães, criada pelas profissionais do Apega como material complementar distribuídos às lactantes. Com linguagem simples e acessível, o guia reúne orientações sobre a preparação para amamentar, a boa pega e o posicionamento correto do bebê, a produção de leite, o manejo das principais intercorrências, o crescimento e desenvolvimento do bebê, a alimentação complementar e outros aspectos essenciais para uma amamentação bem-sucedida. Além da distribuição gratuita de exemplares impressos, a cartilha está disponível em e-book aqui.

Com o sucesso do projeto na cidade de Alfenas e o alcance proporcionado pelo perfil do Instagram (@apega_oficial), a equipe do Apega recebeu o convite para capacitar profissionais de saúde das cidades vizinhas. A primeira capacitação aconteceu na cidade de Botelhos e contou com a presença de 60 profissionais da saúde e cerca de 15 gestantes e puérperas. A segunda formação já está agendada para a cidade de Machado, também no sul de Minas.

Os atendimentos no espaço Apega são gratuitos e agendados. O projeto é conduzido por uma equipe de sete profissionais voluntárias, entre farmacêuticas, fisioterapeutas, enfermeiras, médicas e dentistas, que contam com a colaboração de 11 estudantes voluntários e cinco bolsistas. Para realizar o agendamento no espaço Apega, entre em contato pelo direct do Instagram @apega_oficial ou pelo telefone (35) 3701-9513.

Apoio Fundep

O projeto Atenção integral ao aleitamento materno é financiado pela Fapemig, sob apoio administrativo da Fundep, que gere os recursos aprovados, analisa e executa as demandas de aquisição e realiza o pagamento de bolsas de estudantes e pesquisadores envolvidos no projeto. Os resultados do estudo possibilitaram a readequação orçamentária aprovada pela Fapemig destinado à aquisição de mobiliário para a sala de apoio. Além disso, também foram disponibilizados recursos para a impressão de 2 mil cópias do guia de amamentação distribuídos às frequentadoras do espaço e durante as capacitações.