26 de maio de 2026

Fundep divulga estudo inédito que mapeia impacto ambiental da indústria automotiva

Estudo conduzido no âmbito do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) apresenta novas evidências sobre o papel estratégico do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono no setor automotivo

Qual o impacto ambiental das emissões de gases de efeito estufa (GEE) gerados pela produção de um automóvel fabricado no Brasil? Um estudo inédito, que acaba de ser divulgado, mapeou essas informações desde a extração de matérias-primas até o momento em que sai da fábrica. A iniciativa é uma parceria entre a Fundep, por meio do Programa Mover, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), e a Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (FEM/Unicamp).

O projeto “Do berço ao portão: Pegada de carbono da produção de veículos leves fabricados no Brasil”  quantifica, de forma detalhada, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas à etapa de produção de veículos leves no País, contribuindo para o avanço de políticas públicas e produtos mais sustentáveis na indústria brasileira. O estudo não inclui as etapas de transporte, uso e descarte final.

A iniciativa integra Linha V – Biocombustíveis, Segurança e Propulsão Veicular, programa prioritário do Mover, coordenada pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep).

Base de dados exclusivamente brasileira

Um dos principais diferenciais da pesquisa está no uso de dados primários e na adaptação metodológica ao contexto brasileiro, conhecido como “tropicalização” dos dados. Até então, análises sobre emissões na produção automotiva no Brasil dependiam majoritariamente de bases internacionais, que nem sempre refletem as especificidades da matriz energética e das condições industriais nacionais.

Para entender o impacto da fabricação nacional, a equipe do projeto analisou 12 veículos representativos do mercado brasileiro (hatch, sedan e SUV), abrangendo modelos a combustão (ICEV), híbridos (HEV), híbridos plug-in (PHEV) e 100% elétricos (BEV). A pesquisa teve 36 meses de duração e mobilizou uma equipe de 26 pesquisadores, contando com a colaboração de 18 empresas parceiras e 11 associações setoriais. O aporte total da Fundep foi de R$ 6,5 milhões, por meio do programa Mover.

“O estudo marca um avanço inédito no Brasil ao reunir dados primários e inventários de ciclo de vida ajustados à realidade nacional, preenchendo uma lacuna importante sobre a produção automotiva no país. Ao tropicalizar fatores de emissão tanto da montagem dos veículos quanto dos principais materiais, o estudo oferece uma visão mais fiel da pegada de carbono dos veículos fabricados no Brasil, levando em conta a matriz elétrica majoritariamente renovável e as condições industriais brasileiras. Com isso, o projeto evita distorções comuns em análises baseadas apenas em bases internacionais, como GREET e ecoinvent, que nem sempre refletem as especificidades do contexto nacional”, afirma pesquisadora e gestora de projetos do FGVces, Juliana Picoli.

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