
20 de maio de 2026
Conivência é tema da terceira edição do Compliance Day Fundep
Evento formativo interno busca fortalecer a cultura de ética e integridade na Fundação e este ano discutiu o impacto do comportamento individual no coletivo
Refletir sobre o comportamento individual e como ele impacta a coletividade, particularmente quando o comportamento é omisso, foi a proposta do Compliance Day 2026, evento realizado pela Fundação de Apoio da UFMG (Fundep), na última terça-feira (19) para o fortalecimento da cultura de ética e integridade.
A programação formativa reuniu cerca de 350 colaboradores e, em sua terceira edição, teve o objetivo de mostrar que, para além de normas, políticas, controles e procedimentos, uma cultura de compliance se faz dos comportamentos e escolhas individuais que influenciam diretamente nas organizações.
A abertura do evento teve a participação da vice-reitora da UFMG, Alamanda Kfoury Pereira, que reforçou a intenção de que Fundep e UFMG construam juntas uma cultura de compliance. Na oportunidade, a vice-reitora apresentou a professora Maria Márcia Machado, assessora especial da Reitoria, que, na atual gestão, é a responsável implantação de um sistema de compliance na UFMG.
“O objetivo é estabelecermos, para além das normativas, uma estrutura para que possamos implementar na universidade também essa cultura do compliance, da integridade, mas na perspectiva de prevenção, do cuidado. A Fundep traz um exemplo para caminharmos juntos nessa cultura. Hoje a gente está aqui para aprender muito com vocês”, afirmou, destacando que o cuidado também inclui a sustentabilidade e a saúde das instituições.
O professor Jaime Arturo Ramírez, presidente da Fundep, afirmou que, “no mundo contemporâneo, é impossível para qualquer instituição ter avanços sem o compromisso de avaliar seus valores e procedimentos internos". Ele destacou a importância estratégica do setor de Compliance na Fundação, mas salientou que a participação de todos é fundamental para que a instituição possa entregar o melhor para a sociedade. “Cada pequeno ato que praticamos é um ato de cuidado e responsabilidade e precisa ser um ato íntegro e ético. Sei que a Fundep pode contar com vocês para isso”.
Jornada de Integridade
Durante o evento, o gerente de Compliance, James Mota, compartilhou uma linha do tempo que chamou de “jornada da integridade” na Fundep. A linha remonta a 2013, com a publicação da primeira versão do Código de Ética e Conduta, logo após a promulgação da Lei Anticorrupção (lei 12.846/13). A estruturação de um setor específico foi iniciada em 2018, passando pela implantação do Canal de Denúncias, em 2021.
A criação da área de Compliance ocorreu em 2022 e, no ano seguinte, foi contratada uma consultoria que avaliou 26 requisitos do programa de Compliance da Fundep e atestou o cumprimento de 63% deles, um desempenho positivo considerando que a área havia sido estruturada havia apenas um ano.
“Um pilar importante no qual tivemos nota máxima foi o apoio da alta gestão. Desde a criação, nós tivemos apoio total e irrestrito, além do patrocínio, com os recursos necessários, para que a gente conduzisse o programa de compliance ao longo desses quatro anos”, reforçou James.
Em 2024, a Fundep iniciou a aplicação do teste de integridade, que permite avaliar a percepção dos colaboradores sobre atitudes e como eles se comportam frente a desafios éticos na vida pessoal e profissional. A sondagem foi iniciada com coordenadores, gerentes e em processos seletivos considerados estratégicos, e, em 2025, foi estendida a todos os colaboradores e demais processos seletivos.
A novidade de 2026 é a ampliação da estrutura de Compliance e Auditoria da Fundep, com a inclusão de uma equipe dedicada a avaliar a conformidade das ações da área de Compras, passando a integrar dois colaboradores do referido setor. Posteriormente, será implantada, também, auditoria nos processos do setor de Administração Pessoal.
Ética comportamental
“Precisamos falar sobre corrupção” enfatizou o convidado, Daniel Lança, diretor jurídico e de Compliance da Gasmig, que apresentou a palestra “Ética comportamental: como construir uma cultura de integridade coletiva”. Segundo o especialista, quanto mais falamos e entendemos como a corrupção acontece no dia a dia, mais conseguimos estar preparados para evitar que ela aconteça.
Lança afirmou que todas as pessoas, em algum momento ou condição específica, vão estar sujeitas a serem corruptas ou corruptivas. E, também, que todos superestimam a própria capacidade de serem íntegras, mas minimizam pequenos atos de corrupção que cometem no dia a dia.
Daniel apresentou o que chamou de sete teorias sobre compliance, sendo quatro para provocar reflexões sobre o tema e três para criar ambientes de integridade. Entre elas a teoria das janelas quebradas, exemplificada pela experiência feita em Nova York durante a gestão do prefeito Rudolph Giuliani. Ele contou que foi deixado um carro de boa aparência no Bronx, um bairro muito perigoso da cidade, que no dia seguinte estava intacto. Posteriormente, o mesmo carro, com uma aparência diferente - sujo, com poeira, e uma janela trincada- foi deixado no mesmo local novamente. “No dia seguinte, o carro havia desaparecido. Isso mostra que caos gera o caos, ordem gera ordem”.
Para concluir, Daniel reafirmou a importância de se cuidar das pequenas concessões. Segundo ele, o Compliance pode ser rigoroso com os pequenos atos para mostrar que não aceita as pequenas nem as grandes corrupções. Ele reforçou que a ética pessoal não resolve sozinha, é preciso ter ética institucional, por meio do exemplo da alta gestão. Outro ponto importante, segundo Daniel, é a garantia de independência da área de Compliance para investigar e um canal de denúncias confiável.
Direito é Música
O fechamento da programação foi com uma atividade lúdica que mesclou música e boas reflexões sobre Compliance. A convidada foi a professora Mônica Sette Lopes, vice-diretora da Faculdade de Direito da UFMG e apresentadora do programa Direito é Música da Rádio UFMG Educativa - disponível também no Spotify. No programa, a professora faz a interpretação de músicas populares sob a ótica do direito. A dinâmica no evento foi similar, com a performance das músicas à capela pela própria especialista, seguida de uma análise sob a ótica de compliance.
A música O Compositor, de Gilberto Gil, por exemplo, foi uma metáfora para a interpretação de normas: “A gente pode comparar o compositor ao legislador, aquele que faz regra, que quando ele compõe a partitura e a letra, vai dizer como aquela música deve ser interpretada. Mas cada intérprete – o que vai executar a música - o faz de um modo”.
A colaboradora Roberta Fabiane de Souza Silva trabalha na área de Infraestrutura da Fundep há dois meses e meio, e conta que o evento contribuiu para entender como a ética e a conformidade são tratadas na Fundação. “É um assunto que faz toda a diferença para o crescimento do colaborador e o crescimento da instituição”. Para Marcos Vinícius Ferreira Soares, da área de Tecnologia da Informação, é essencial trabalhar os fundamentos de ética e integridade com os colaboradores “Reforça a cultura de transparência e de qualidade no dia a dia do trabalho, na forma como devemos atuar com outros setores, clientes, coordenadores e pares”, observou.

