18 de dezembro de 2025

“Um futuro [de] poesia” foi tema do encontro interno Fundep X 2025

Lívia Laudares

A Fundep realizou a edição 2025 do Fundep X, evento que marca um momento de alinhamento institucional e celebração de resultados com todos(as) colaboradores(as) da sede da Fundação, em 12/12, no CAD I da UFMG. Neste ano especial, em que a Fundep completa 50 anos, o encontro encerrou a Trilogia Fundep X 50+, iniciativa inspirada em diferentes expressões artísticas para refletir sobre passado, presente e futuro.

Fechando a tríade – que, nos anos anteriores, teve como referência as artes visuais e performáticas –, a arte literária conduziu a edição com o tema Um futuro [de] poesia, convidando à reflexão sobre sensibilidade, escuta e imaginação como dimensões fundamentais para a construção do amanhã.

Parceria histórica entre Fundep e UFMG

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Foto: Ana Carolina Gripp/Fundep

Na abertura do evento, a reitora da UFMG, professora Sandra Goulart Almeida, destacou a Fundep como parte indissociável da trajetória da Universidade, especialmente em períodos desafiadores para a universidade pública. Em sua fala, ressaltou o papel da Fundação no apoio ao compromisso da UFMG com a sociedade brasileira.

Para a professora Sandra, o crescimento da UFMG – hoje mais inclusiva e amplamente reconhecida como uma das mais importantes universidades do Brasil e da América Latina – está diretamente ligado ao trabalho das equipes e ao apoio da Fundep. “Nada disso teria sido possível sem o trabalho de cada um de vocês e sem a Fundep, que nos ajuda a levar adiante nosso compromisso maior: atender à sociedade por meio da formação, da pesquisa e da extensão”, completou.

O vice-reitor, professor Alessandro Fernandes Moreira, destacou a relação de complementaridade entre as instituições e a importância da cooperação para a universidade pública._ “A UFMG precisa da Fundep e a Fundep precisa da UFMG. É isso que fica e é isso que é importante”_, afirmou. Ao final, agradeceu às equipes da Fundep e reafirmou o compromisso com a universidade pública.

Legado e futuro institucional

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Foto: Ana Carolina Gripp/Fundep

“Como dois caminhos paralelos, tão próximos e também distantes. Como dois pergaminhos, entrelaçados em cada instante.” O verso marcou a fala de abertura do presidente da Fundep, professor Jaime Arturo Ramirez. Em um discurso sensível, ele ressaltou a Fundep como um espaço feito de relações, histórias e pessoas, destacando o cuidado, a escuta e o reconhecimento como elementos centrais para a construção de uma instituição sólida e comprometida com sua missão institucional.

Reflexões sobre futuro e poesia

A programação do evento também contou com a participação do professor e poeta Sérgio Alcides, da Faculdade de Letras da UFMG. Em sua fala, ele provocou reflexões sobre a relação histórica da humanidade com o futuro, a centralidade da universidade no debate contemporâneo e os impactos da tecnologia – especialmente da Inteligência Artificial – nos processos criativos e na preservação das capacidades humanas.

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Foto: Ana Carolina Gripp/Fundep

Segundo Alcides, pensar o futuro exige responsabilidade ética, pensamento crítico e atenção às transformações em curso, sem perder de vista os valores que sustentam a vida democrática, a cultura e a produção de conhecimento.

Conhecimento que se transforma em ação

O Fundep X 2025 também evidenciou como a parceria entre Fundep e UFMG se materializa em projetos que transformam conhecimento em ações concretas para a sociedade. Iniciativas nas áreas de infraestrutura laboratorial, cultura, memória e pesquisa científica demonstram o papel da Fundação no apoio à Universidade e na promoção do desenvolvimento social, cultural e acadêmico.

Nos projetos a seguir, apresentados durante uma sessão em formato de roda de conversa, essa escrita coletiva ganha forma em diferentes frentes, sempre sustentada pela escuta, pela gestão compartilhada e pelo compromisso público.

Acervo de Escritores Mineiros – O novo prédio do Acervo de Escritores Mineiros está em obras desde fevereiro, com a Fundep responsável pelo planejamento, gerenciamento, execução e entrega da futura sede, localizada no prédio da Faculdade de Letras da UFMG (FALE). Para a professora e diretora da Faculdade de Letras, Sandra Bianchet, o novo espaço “nasce para a Fale e com a Fale”, como destacou durante o evento. O projeto prevê a criação de um espaço com características de museu e biblioteca, que abrigará não apenas livros, mas um amplo conjunto de bens de valor simbólico e histórico. São acervos de cerca de 20 escritores, formados por doações em vida ou realizadas por familiares, incluindo manuscritos, cartas, fotografias, obras de arte, escrivaninhas, máquinas de datilografia e estantes.

Documentação e revitalização de línguas ameríndias – Há mais de 30 anos, o projeto de documentação e revitalização de línguas ameríndias desenvolvido na UFMG enfrenta um desafio central da linguística contemporânea: preservar línguas minoritárias ameaçadas de desaparecimento. Estima-se que existam entre 500 e 700 línguas na América do Sul. No Brasil, são cerca de 220 povos indígenas, dos quais aproximadamente 180 ainda mantêm suas línguas em uso.

A pesquisa, coordenada pelo professor da Faculdade de Letras da UFMG Fábio Bonfim – também convidado da conversa – envolve o mapeamento, a documentação e a criação de bases para a transmissão dessas línguas às próximas gerações, por meio de inventários fonêmicos, definição de ortografias e registros que muitas vezes inexistiam. Mais do que executar etapas administrativas, a Fundep constrói soluções em conjunto com o projeto, adaptando metodologias, editais e processos às necessidades específicas da pesquisa.

Memórias entrelaçadas

Um dos pontos altos do Fundep X 2025 foi a homenagem aos colaboradores com mais de 20 anos de trajetória na instituição. Em depoimentos marcados pela emoção, eles relataram como a Fundep atravessou suas histórias pessoais e profissionais, presente em fases decisivas da vida, no apoio em momentos difíceis, na construção de amizades e no fortalecimento de vínculos que extrapolam o ambiente de trabalho. A homenagem evidenciou o papel da Fundação como espaço de permanência, pertencimento e relações construídas ao longo do tempo.